Consulta da Apoio à Família

Nos dias que correm ser criança é um enorme desafio e nem sempre de um ponto de vista positivo.

Podia falar-vos da lufada de ar fresco que as crianças me dão diariamente; das gargalhadas espontâneas e ingénuas que me contagiam; de tudo o que me ensinam pela simplicidade do olhar que ainda têm sobre as coisas...mas hoje quero falar-vos da minha experiência enquanto pessoa e profissional que divide o dia entre as aulas de apoio de educação especial e as consultas a famílias em contexto de divórcio.

São duas actividades muito distintas mas nas quais me realizo com a satisfação de teimar em não abdicar de nenhuma.

Nas aulas tenho crianças e jovens que se confrontam diariamente com a sombra do insucesso escolar; muitas são excluídas pelos pares e a muitas falta a atenção e a intervenção articuladas, necessárias para que ultrapassem as dificuldades. Muitas estão rodeadas de adultos confusos e ainda mais perdidos.

Nas consultas tenho adultos geralmente em conflito, com ânsias de lhes ser permitido agirem de forma imatura, e sem consequências. Adultos muito perdidos e deprimidos, a precisarem de apoio e de orientação. Adultos que muitas vezes se apoiam nas crianças de forma inconsciente mas muito prejudicial.

Às crianças procuro dar o conforto de uma relação pedagógica segura, onde o espaço de trabalho seja alegre mas com regras. Onde a exigência seja constante tendo por base a expectativa de que cada um tem sempre algo a acrescentar. Peço rigor e ânimo a estas crianças e vejo resultados positivos que me dão alento para continuar a dar aquilo em que mais acredito - o reforço positivo.

Aos adultos relembro que errar é humano mas que nunca temos o direito de tomar decisões que arrastem os filhos para o caos. Relembro a importância de se saber pedir ajuda e da necessidade de parar para avaliar as prioridades na vida. Relembro igualmente que é preciso recuperar a leveza da infância porque o dia-a-dia sem sorrisos pode ser fatal e mais tarde já pode ser tarde demais. Também a estes relembro que são capazes de mais e de melhor, esperando que confiem mais em si próprios e nas capacidades que têm para enfrentar a missão de cuidar as crianças que trouxeram ao mundo e que amam tanto.

A todos os pequenos e aos crescidos também, que todos os dias sejam o dia da Criança - da que fomos, da que somos, da que temos ao nosso cuidado! 

Maria Portugal - Psicopedagoga